Reposição hormonal: gel, adesivo ou comprimido?
Dr. Gabriel Resende · Médico
Resposta rápida
Não existe uma via melhor para todas. O comprimido passa pelo fígado antes de agir; o gel e o adesivo, por serem transdérmicos, não têm essa primeira passagem hepática, o que a literatura associa a um perfil vascular mais favorável em quem tem risco. A escolha é individual, definida com exames e acompanhamento.
Quais são as vias da reposição hormonal?
A terapia hormonal da menopausa pode ser administrada por vias diferentes. As mais comuns são a oral, em comprimido, e a transdérmica, pela pele, na forma de gel ou adesivo. Existem ainda outras apresentações, avaliadas caso a caso.
A via não é um detalhe. Ela muda o caminho que o hormônio faz no corpo antes de agir e, com isso, influencia o perfil de segurança do tratamento. Por isso a escolha entre gel, adesivo e comprimido é uma decisão clínica, e não apenas questão de preferência.
Qual a diferença entre a via oral e a transdérmica?
O comprimido é absorvido pelo intestino e passa primeiro pelo fígado antes de circular pelo corpo. Esse fenômeno, chamado de primeira passagem hepática, estimula a produção de certos fatores no fígado. O gel e o adesivo entram pela pele e caem direto na circulação, sem essa primeira passagem.
A literatura descreve que a via transdérmica, por não ter a primeira passagem hepática, tende a não elevar da mesma forma o risco de eventos vasculares como a trombose venosa. Por isso, entidades como o ACOG apontam que a via transdérmica pode melhorar a relação risco/benefício, principalmente em quem já tem fatores de risco. Isso não significa ausência de risco: significa um perfil que precisa ser avaliado individualmente.
| Comprimido (oral) | Gel ou adesivo (transdérmico) | |
|---|---|---|
| Caminho no corpo | Passa pelo fígado primeiro | Direto na circulação |
| Primeira passagem hepática | Sim | Não |
| Perfil vascular na literatura | Pode elevar risco em certos casos | Frequentemente preferido em quem tem risco |
| Escolha | Individual, com avaliação | Individual, com avaliação |

Como saber qual via é a mais indicada para mim?
Não há uma resposta única. Via, dose e tipo de hormônio são individualizados a partir dos seus sintomas, do seu histórico e dos seus exames. A melhor janela para considerar o tratamento costuma ser antes dos 60 anos ou dentro de 10 anos da última menstruação, sempre com avaliação de indicações e contraindicações.
Existem situações em que a terapia hormonal não é indicada, como sangramento vaginal sem causa esclarecida, alguns tipos de câncer sensíveis a hormônio, eventos vasculares prévios e doença hepática grave. Nesses casos, há alternativas a discutir com o médico. Essa é uma decisão que se toma em conjunto, com exames e acompanhamento.
Reposição hormonal é a mesma coisa que o chip da beleza?
Não. Reposição hormonal séria é conduta médica individualizada, baseada em evidência, com indicação, exames e acompanhamento. Ela não se confunde com o chamado chip da beleza, feito de hormônios manipulados com finalidade estética ou de emagrecimento.
Vale registrar que implantes hormonais manipulados têm alerta formal de entidades médicas brasileiras e restrições da Anvisa. O objetivo da reposição hormonal bem conduzida é aliviar sintomas do climatério e cuidar da saúde na transição, não prometer rejuvenescimento nem resultado estético.
Perguntas frequentes
A via transdérmica é mais segura que o comprimido?
Qual a melhor idade para começar?
Todo mundo pode fazer reposição hormonal?
Referências
- The Menopause Society (NAMS), Posição sobre terapia hormonal (2022)
- ACOG (American College of Obstetricians and Gynecologists)
- Febrasgo e SBEM (posicionamentos sobre terapia hormonal e implantes manipulados)
Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica. Resultados variam conforme cada paciente.
Escrito por Dr. Gabriel Resende, médico · CRM-DF 27381 · CRM-GO 26801 · Revisado em julho de 2026.
