Instituto Gabriel Resende

Reposição hormonal: gel, adesivo ou comprimido?

Dr. Gabriel Resende

Dr. Gabriel Resende · Médico

CRM-DF 27381 · CRM-GO 26801Revisado em julho de 20264 min de leitura

Resposta rápida

Não existe uma via melhor para todas. O comprimido passa pelo fígado antes de agir; o gel e o adesivo, por serem transdérmicos, não têm essa primeira passagem hepática, o que a literatura associa a um perfil vascular mais favorável em quem tem risco. A escolha é individual, definida com exames e acompanhamento.

Quais são as vias da reposição hormonal?

A terapia hormonal da menopausa pode ser administrada por vias diferentes. As mais comuns são a oral, em comprimido, e a transdérmica, pela pele, na forma de gel ou adesivo. Existem ainda outras apresentações, avaliadas caso a caso.

A via não é um detalhe. Ela muda o caminho que o hormônio faz no corpo antes de agir e, com isso, influencia o perfil de segurança do tratamento. Por isso a escolha entre gel, adesivo e comprimido é uma decisão clínica, e não apenas questão de preferência.

Qual a diferença entre a via oral e a transdérmica?

O comprimido é absorvido pelo intestino e passa primeiro pelo fígado antes de circular pelo corpo. Esse fenômeno, chamado de primeira passagem hepática, estimula a produção de certos fatores no fígado. O gel e o adesivo entram pela pele e caem direto na circulação, sem essa primeira passagem.

A literatura descreve que a via transdérmica, por não ter a primeira passagem hepática, tende a não elevar da mesma forma o risco de eventos vasculares como a trombose venosa. Por isso, entidades como o ACOG apontam que a via transdérmica pode melhorar a relação risco/benefício, principalmente em quem já tem fatores de risco. Isso não significa ausência de risco: significa um perfil que precisa ser avaliado individualmente.

Comprimido (oral)Gel ou adesivo (transdérmico)
Caminho no corpoPassa pelo fígado primeiroDireto na circulação
Primeira passagem hepáticaSimNão
Perfil vascular na literaturaPode elevar risco em certos casosFrequentemente preferido em quem tem risco
EscolhaIndividual, com avaliaçãoIndividual, com avaliação
Pintura a óleo clássica de paisagem com três caminhos que partem de um portão de pedra e convergem para o mesmo horizonte, simbolizando as diferentes vias da reposição hormonal levando ao mesmo objetivo

Como saber qual via é a mais indicada para mim?

Não há uma resposta única. Via, dose e tipo de hormônio são individualizados a partir dos seus sintomas, do seu histórico e dos seus exames. A melhor janela para considerar o tratamento costuma ser antes dos 60 anos ou dentro de 10 anos da última menstruação, sempre com avaliação de indicações e contraindicações.

Existem situações em que a terapia hormonal não é indicada, como sangramento vaginal sem causa esclarecida, alguns tipos de câncer sensíveis a hormônio, eventos vasculares prévios e doença hepática grave. Nesses casos, há alternativas a discutir com o médico. Essa é uma decisão que se toma em conjunto, com exames e acompanhamento.

Reposição hormonal é a mesma coisa que o chip da beleza?

Não. Reposição hormonal séria é conduta médica individualizada, baseada em evidência, com indicação, exames e acompanhamento. Ela não se confunde com o chamado chip da beleza, feito de hormônios manipulados com finalidade estética ou de emagrecimento.

Vale registrar que implantes hormonais manipulados têm alerta formal de entidades médicas brasileiras e restrições da Anvisa. O objetivo da reposição hormonal bem conduzida é aliviar sintomas do climatério e cuidar da saúde na transição, não prometer rejuvenescimento nem resultado estético.

Perguntas frequentes

A via transdérmica é mais segura que o comprimido?
A literatura descreve um perfil vascular mais favorável para a via transdérmica, principalmente em quem tem fatores de risco, porque ela não passa primeiro pelo fígado. Isso não quer dizer ausência de risco. A indicação é sempre individual.
Qual a melhor idade para começar?
A janela mais favorável costuma ser antes dos 60 anos ou dentro de 10 anos da última menstruação, sempre com avaliação de sintomas, histórico e exames. Começar dentro dessa janela tende a oferecer melhor relação entre benefício e risco.
Todo mundo pode fazer reposição hormonal?
Não. Há contraindicações, como sangramento vaginal sem causa esclarecida, alguns cânceres sensíveis a hormônio, eventos vasculares prévios e doença hepática grave. Por isso a avaliação clínica com exames é indispensável antes de qualquer prescrição.

Referências

  1. The Menopause Society (NAMS), Posição sobre terapia hormonal (2022)
  2. ACOG (American College of Obstetricians and Gynecologists)
  3. Febrasgo e SBEM (posicionamentos sobre terapia hormonal e implantes manipulados)

Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica. Resultados variam conforme cada paciente.

Escrito por Dr. Gabriel Resende, médico · CRM-DF 27381 · CRM-GO 26801 · Revisado em julho de 2026.

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